19/11/2019

Consciência negra: Sessão Afrocine desperta atenção

Quatro curta-metragens brasileiros estão sendo exibidos

Desde o início deste mês, o Coren-MT exibe em sua sede, em Cuiabá, quatro filmes curta-metragem de ficção que tem como tema principal a discriminação racial.

Trata-se de filmes protagonizados e produzidos por profissionais negros brasileiros. Dar  visibilidade a estes trabalhos é um dos objetivos do coletivo, que reúne produtores e ativistas do audiovisual. O material faz parte do acervo do Projeto Sessão Afrocine, do Coletivo Audiovisual Negro Quariterê, de Cuiabá.

A iniciativa do Coren-MT visa estimular a reflexão sobre o preconceito racial na sociedade brasileira entre os profissionais da enfermagem. Em Mato Grosso, 67% dos 28.369 profissionais registrados são negros e 85% pertencem ao sexo feminino. No Estado, 12% da categoria se autodenomina “preta”, 26% se declara “branca”, 55% “parda” e 1% “indígena”.

O técnico de enfermagem Jair Santos

Para o técnico de enfermagem e socorrista Jair Santos de Queiroz, 36 anos, esta é uma discussão pertinente. “Acompanhamos as matérias publicadas pelo Coren-MT, que trazem sempre temas interessantes.  A consciência negra não deveria ser lembrada somente nesse período, mas sim abordada constantemente, pois o racismo acontece, a desigualdade continua, principalmente para nós, negros”, disse ele.

A enfermeira e professora Josiane Luzia Rodrigues, 27 anos, acha importante tocar neste assunto, principalmente entre profissionais que atuam no Sistema  Único de Saúde. “O SUS traz a discussão sobre a equidade e a igualdade. A gente vê ainda muito preconceito, infelizmente e muitos camuflam este tema.  É importante falar para contribuir com a mudança desta realidade”.

Sessão Afrocine no Coren-MT

A sessão acontece todas as segundas, quartas e sextas-feiras, na recepção do Coren-MT. Estão sendo exibidos os filmes “Cores e botas“, da cineasta Juliana Vicente (SP, 2018), que retrata as dificuldades enfrentadas por uma menina negra ao perseguir a meta de ser uma das “paquitas” do programa da apresentadora Xuxa Meneghel, ideal de grande parte das crianças e adolescentes dos anos 1980.

Em “Fábula de Vó Ita” , de Thallita Oshiro e Joyce Prado (SP, 2017), avó e neta discutem sobre uma temática que diz respeito à questão racial, o preconceito contra a aparência física, tentando compreender, por meio de uma fábula, os conflitos raciais do cotidiano e a necessidade da autoaceitação entre negros.

Outra exibida é “A  câmera de João“, de Tothi Cardoso (SP,2017), que discute a relação de um menino negro com seu avô, mediada por sua paixão pela fotografia.

Também em exibição, o  filme “Ana“, de Vitória Felipe Santos (SP, 2018), retrata o dia-a-dia de duas vítimas do preconceito racial, a menina Ana, que não se reconhece como negra, e sua professora Jeannette, refugiada no Brasil, que encara as dificuldades de adaptação ao país.

 

 

 

 

 

Veja cenas dos filmes:




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