20/12/2018

Coren-MT apoia pesquisa sobre saúde de profissionais a partir de 60 anos

Rotina de trabalho afeta qualidade de vida da categoria, composta em sua maioria por mulheres

A sobrecarga de tarefas, as jornadas extensas, os plantões noturnos e a necessidade de ter múltiplos empregos são realidades do mercado de trabalho que afetam a saúde de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.

Investigar a qualidade de vida e o perfil de saúde destes profissionais é o objetivo de uma pesquisa que está sendo desenvolvida pela Faculdade de Enfermagem da UFMT, no grupo de pesquisa “Tripalium: Estrutura, Organização e Gestão do trabalho em Saúde e Enfermagem”, integrante do  Programa de Pós-graduação em Enfermagem.

Denominada “Perfil de saúde e qualidade de vida do trabalhador de enfermagem a partir dos 60 anos”, a investigação conta com o apoio Coren-MT  e está dividida em dois subprojetos, um deles focado no levantamento de dados sobre enfermeiros, desenvolvido pelo mestrando Thalison Fernandes, e outro voltado aos profissionais de nível médio, sob a responsabilidade do mestrando João Pedro Sousa Neto.

Mato Grosso conta com 27.443 profissionais, a maioria dos quais é do sexo feminino e está acima dos 60 anos.

Entre os 8.314 enfermeiros, 230 estão nesta faixa etária, sendo 199 mulheres. No caso dos técnicos, dos 16.488 profissionais, 711 são sexagenários, sendo 662 do sexo feminino. A situação se repete em relação aos auxiliares: do total de 2.632, ao todo 757 têm idade acima de 60 anos, entre os quais 696 são mulheres.

O coordenador do levantamento, Prof. Dr. Antônio César Ribeiro, professor da FAEN e presidente do Coren-MT, lembra o quanto a rotina da profissão provoca desgaste mental é físico, sendo piorada pelas más condições de trabalho.

 

Prof. Dr. Antônio César Ribeiro, coordenador da pesquisa e presidente do Coren-MT

Ele salienta a relevância social do serviço de enfermagem e a importância dos resultados desta pesquisa para as lutas históricas da categoria, como a regulamentação da jornada de 30 horas semanais (prevista no PL 2295/2000) e a aposentadoria especial para a enfermagem, que está em debate por meio do PLS 349/2016. Outra pauta é o correto dimensionamento das equipes de enfermagem, a fim de reduzir a sobrecarga de trabalho.

Uma dos resultados esperados é chamar a atenção do poder público para tais pautas. “Os resultados vão incentivar a reflexão interna da categoria e sensibilizar os legisladores para a aprovação destes projetos de lei. Exercemos um trabalho especial, que a sociedade demanda. Os governantes precisam de um olhar diferenciado para isso”, comentou Antônio César Ribeiro.

O Coren-MT orienta aos profissionais que receberem contatos dos pesquisadores referentes a esta pesquisa que contribuam respondendo ao questionário.




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