04/11/2019

Coren-MT exibe filmes do projeto “Sessão Afrocine”

Mês da consciência negra

Uma menina sonha sem ser ajudante de palco do programa infantil Xou da Xuxa. Contando histórias, uma avó tenta mostrar à neta a beleza de todas as etnias. Uma estudante e sua professora descobrem juntas maneiras de lidar com o preconceito.  Um menino aprende com o avô a paixão pela fotografia.

Os personagens acima têm em comum o fato de serem negros e protagonistas de filmes curta-metragem de ficção lançados pela nova safra de produtores audiovisuais negros brasileiros. Eles integram o acervo do projeto “Sessão Afrocine”, iniciativa do Coletivo Audiovisual Quariterê, de Cuiabá.

Em homenagem ao Mês da Consciência Negra, os filmes estarão em exibição na sede do Coren-MT de 4 a 30 de novembro, às segundas, quartas e sextas-feiras.

Cena do Filme A Câmera de João

Serão exibidos os filmes “Cores e botas“, da cineasta Juliana Vicente (SP, 2018), que retrata as dificuldades enfrentadas por uma menina negra ao perseguir a meta de ser uma das “paquitas” do programa da apresentadora Xuxa Meneghel, ideal de grande parte das crianças e adolescentes dos anos 1980.

Em “Fábula de Vó Ita” , de Thallita Oshiro e Joyce Prado (SP, 2017), avó e neta discutem sobre uma temática que diz respeito à questão racial, o preconceito contra a aparência física, tentando compreender, por meio de uma fábula, os conflitos raciais do cotidiano e a necessidade da autoaceitação entre negros.

A produtora cultural Anna Maria Moura, uma das idealizadoras da Sessão Afrocine

Outra obra a ser exibida é “A  câmera de João“, de Tothi Cardoso (SP,2017), que discute a relação de um menino negro com seu avô, mediada por sua paixão pela fotografia.

Cena do filme Cores e Botas

A Sessão Afrocine no Coren-MT encerra-se com o filme “Ana“, de autoria de Vitória Felipe Santos (SP, 2018), o qual retrata o dia-a-dia de duas vítimas do preconceito racial, a menina Ana, que não se reconhece como negra, e sua professora Jeannette, refugiada no Brasil, que encara as dificuldades de adaptação ao país.

Saiba mais sobre o projeto

O Coletivo Audiovisual Quariterê reúne produtores e militantes do segmento audiovisual com o objetivo de discutir o protagonismo e dar visibilidade ao trabalhos de produtores negros.

O nome do coletivo faz homenagem ao quilombo Quariterê, fundado na década de 1740 pelo líder negro José Piolho. Sua esposa, Teresa de Benguela, foi a primeira mulher a liderar um quilombo na história do país.

De acordo com o grupo, a produção audiovisual local, mais voltada para o mercado, acaba por repercutir historicamente uma imagem negativa e pouco diversa da população brasileira.

“É importante criar janelas para o contraponto. A Sessão Afrocine deseja suprir, em partes, esta necessidade ao levar o audiovisual negro para o público-alvo e o público em geral”, diz um manifesto do coletivo.

Enfermagem tem maioria negra

No Brasil, como resultado da mobilização do movimento negro, o mês de novembro é  tradicionalmente dedicado à memória da figura heróica de Zumbi, líder do quilombo de Palmares, o maior da América Latina, fundado na região onde hoje se situa o estado de Alagoas.

Este é um mês de incentivo à reflexão sobre as relações raciais no Brasil e de valorização da resistência histórica do povo negro à exclusão social.

Este é um tema que toca especialmente a categoria da enfermagem, que é formada em sua maioria por mulheres e por negros (Saiba mais).

Em Mato Grosso, 67% dos 28.369 profissionais registrados são negros e 85% pertencem ao sexo feminino. No Estado, 12% da categoria se autodenomina “preta”, 26% se declara “branca”, 55% “parda” e 1% “indígena”.

Cena do filme Fábulas de Vó Ita

Como reflexo da exclusão, 60%  apresentam dificuldades em ingressar no mercado de trabalho e 45% trabalham mais de 40 horas por semana.

Na história oficial da enfermagem no Brasil e no mundo, há poucos registros da participação dos negros na formação da profissão. Porém, sabe-se que principalmente as mulheres negras deram grande contribuição neste sentido, tendo sido pioneiras.

Entre os exemplos de enfermeiras negras percussoras podemos citar Maria José Bezerra, nascida 1895. Filha de escravos, num ato de extrema coragem, se alistou como enfermeira para atuar na Revolução de 1932 (Saiba mais).

De lá para cá, apesar da inserção cada vez maior das mulheres negras no ambiente de profissionalização, o preconceito é ainda um fato cotidiano.

Observação: Os dados apresentados acima são da pesquisa desenvolvida pela Profa. Dra. Rosa Lúcia Ribeiro, da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso, com base em dados no levantamento “Perfil da Enfermagem no Brasil”, de autoria do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

 

 




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