21/12/2018

Coren-MT pede esclarecimentos sobre enfermeiro acusado de agressão em Roo

Paciente estava ameaçando demais usuários e profissional o conteve

O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) solicitou à UPA de Rondonópolis esclarecimentos sobre a conduta do enfermeiro Antonion Pereira de Oliveira, acusado de ter agredido um paciente naquela unidade de saúde  na semana passada. A notícia foi veiculada nas redes sociais.

A gerência de enfermagem da UPA  apresentou depoimento escrito pelo enfermeiro, onde justifica e esclarece a respeito da contenção feita ao paciente, tendo em vista que este ameaçava os demais usuários da unidade. O documento é assinado pela gerente Cláudia Regina Wandeveld.

Segundo o relato,  o incidente aconteceu na manhã do dia 10 de dezembro. O paciente estava armado com um pedaço de pau e ameaçava os presentes, reclamando do atendimento. O objeto foi retirado pelo enfermeiro, que acionou a polícia, mas o rapaz pegou um tijolo, motivo pelo qual foi contido pelo profissional. Depois de contido, o rapaz foi levado para atendimento médico e se acalmou.

No documento consta ainda que a contenção mecânica feita pelo enfermeiro, quando considerada tecnicamente necessária, é normatizada pela resolução n.º 427/2012, do Conselho Federal de Enfermagem.

O outro lado da moeda

Cenas de agressão têm sido recorrentes no ambiente de trabalho da enfermagem e em grande parte das vezes, as vítimas são os profissionais. O motivo em geral é a insatisfação do paciente com a demora, as longas filas e a precariedade do próprio sistema de saúde.

Uma pesquisa do feita em 2017 pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), identificou que 77% dos profissionais de enfermagem são agredidos no trabalho.

Em 53% dos episódios, o agressor foi o paciente, motivado pelas más condições e pela demora ao atendimento. Mesmo sofrendo agressões, 87,51% dos profissionais não registraram queixa à polícia ou denunciaram a qualquer órgão de governo.

Outro estudo realizado por pesquisadores no Rio de Janeiro mostrou que a maioria foi vítima de violência ocupacional (76,7%), advinda especialmente dos acompanhantes (87,0%), seguido dos pacientes (52,2%).

A forma de violência mais comum (100,0%) foi a agressão verbal. Outra pesquisa científica realizada no estado do Maranhão evidenciou que a agressão verbal, também sofrida pelos profissionais de Enfermagem, é o tipo mais freqüente (95%), seguida pelo assédio moral (27%), advinda na sua maioria pelos pacientes (60%). O setor de emergência (51%) é o de maior ocorrência.

“Essa realidade reflete a precariedade do serviço oferecido pelo sistema público de saúde no Brasil. Os profissionais da enfermagem estão na linha de frente e são atingidos diretamente pelo impacto desta grave situação de precarização”, comentou o presidente do Coren-MT, Antônio César Ribeiro.

 




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