27/11/2020

Enfermeira gigante vai ser levada ao Congresso Nacional

Quem passa diariamente pela Estação Central do Metrô, na Rodoviária

Quem passa diariamente pela Estação Central do Metrô, na Rodoviária de Brasília, notou algo diferente nesta semana. Uma enfermeira gigante está instalada no meio do saguão, para chamar a atenção da população para a realidade dos profissionais de Enfermagem, que lutam diariamente para salvar vidas e estão sendo massacrados por jornadas exaustivas, baixos salários, excesso de responsabilidades e condições precárias de trabalho.

A obra faz parte da campanha #AbraceaEnfermagem, desenvolvida pelo Conselho Federal e pelos Conselhos Regionais de Enfermagem, para sensibilizar a sociedade sobre a importância de cuidar de quem cuida. “A situação de enfermeiros, técnicos e auxiliares é insustentável no Brasil. Os nossos profissionais estão morrendo por causa das péssimas condições de trabalho. Enquanto isso, projetos que poderiam resolver problemas graves e melhorar a nossa vida estão parados há 10, 20 anos no Congresso Nacional. Isso tem que mudar”, considera o presidente do Coren-DF, Marcos Wesley.

As pessoas que passam pelo Estação Central podem assinar a enfermeira gigante para demonstrar apoio aos profissionais da Enfermagem. Foi o que fez a auxiliar de serviços gerais Nilvete da Conceição Batista, de 53 anos, que ficou impressionada com o tamanho da boneca. A instalação tem 2,1 metros de altura. “Esse pessoal é muito importante. Nunca vou esquecer do cuidado e do carinho que tiveram com a minha mãe, quando ela precisou fazer uma cirurgia na barriga. Tem que apoiar eles, né? Não dá para largar eles abandonados no hospital, não”, disse a moradora de Samambaia.

Morador da Ceilândia, o auxiliar administrativo Yago Barbosa da Silva, de apenas 23 anos, também parou para ler os materiais informativos da campanha #AbraceaEnfermagem, que ficam no totem, ao lado da boneca. “Eu não sabia que a realidade desses trabalhadores era essa. Muito triste saber que quem trabalha para manter o sistema de saúde funcionando tem uma vida tão difícil. Os políticos precisam olhar pra essa situação. Vou publicar uma foto com a hashtag nas redes sociais, para demonstrar meu apoio a essa campanha”, disse.

A enfermeira gigante fica no Metrô de Brasília até o dia 2 de dezembro. Depois, ela será levada para a Câmara dos Deputados, no Congresso Nacional, para mostrar à classe política a urgência de atender as demandas da Enfermagem, para garantir o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o atendimento integral, universal e gratuito da população. “Os enfermeiros representam mais da metade dos trabalhadores da saúde e estão na linha de frente do combate à Covid-19. A enfermagem merece mais que aplausos. É preciso ter condições dignas de trabalho e de vida”, frisa o presidente do Cofen, Manoel Neri.

Dados do Observatório da Enfermagem mostram que, somente no DF, 1.537 profissionais da Enfermagem já foram infectados e 16 morreram por causa do novo coronavírus. No Brasil, já são 43.446 casos registrados e 460 óbitos entre profissionais de Enfermagem. Os números podem ser ainda maiores, pois falta testagem e há subnotificação de casos. “As nossas condições de trabalho, que já eram difíceis, se tornaram ainda piores com a pandemia. Até agora, apesar do grande apoio popular que recebemos, das palmas e tudo mais, nada mudou. A situação é dramática e precisamos de atenção”, insiste o presidente do Coren-DF, Marcos Wesley.

Desde o início da pandemia, o Coren-DF realizou 137 fiscalizações operativas e 470 inspeções analíticas, com base em provas e documentos, para apurar 419 denúncias envolvendo 161 instituições públicas, 137 instituições privadas e 13 instituições militares. Na maioria dessas ações fiscalizatórias, foi constatada a falta ou fornecimento irregular de EPIs, escassez de medicamentos essenciais, sobrecarga de trabalho, déficit de profissionais, deficiências estruturais e outras irregularidades que colocam em risco a integridade da Enfermagem.

Para reduzir os riscos de infecção entre os profissionais de Enfermagem, o Coren-DF entregou a doação de 28.360 máscaras a enfermeiros, técnicos e auxiliares de 195 instituições de saúde, que estavam sofrendo com a falta ou com o fornecimento de EPIs de má qualidade. Esse trabalho foi determinante para preservar vidas de trabalhadores, principalmente, nas situações mais críticas. As máscaras foram adquiridas pelo Cofen em licitação emergencial. “Agora, é necessário fazer mais e isso depende da classe política. É necessário votar os projetos da Enfermagem que tramitam no Congresso Nacional”, finaliza Marcos Wesley.

Fonte: Cofen




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