25/02/2022

MT lidera lista de estados com maior número de novos casos de Hanseníase em 2020

Mesmo com baixa no quadro geral, o estado registrou 71,44 casos novos por 100 mil habitantes durante o primeiro ano de pandemia.

O estado de Mato Grosso possui o maior número de novos casos de hanseníase em 2020 de acordo com o “Boletim Epidemiológico de Hanseníase”, da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, divulgado em janeiro de 2022. Ao todo foram registrados 71,44 novos casos por 100 mil habitantes em Mato Grosso, no ano de 2020. Diante deste cenário, uma das estratégias utilizadas para a diminuição de novos casos é a vigilância de contato, feita por profissionais da enfermagem a partir de um diagnóstico precoce.

Procedimento para identificar um possível caso de hanseníase. | Foto: Reprodução

No mês passado foi divulgada durante o seminário “Desafios para Zero Hanseníase no Brasil: Integralidade, Humanização e Inovação”, a incorporação de testes rápidos no SUS para a Hanseníase. A previsão é de que esses testes passem a ser realizados, pelos profissionais de enfermagem, a partir do segundo semestre de 2022.

O conselheiro federal Vencelau Pantoja destacou para o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) a importância da Enfermagem para viabilizar o diagnóstico. “A enfermagem representa mais da metade das equipes de Saúde e tem papel fundamental na vigilância epidemiológica da hanseníase, inclusive na realização dos testes rápidos, que vão permitir um tratamento mais célere, contribuindo para conter a transmissão”, disse.

Desde 2019, Mato Grosso lidera a lista entre os estados com maior número de novos casos de hanseníase. Apesar de a taxa de detecção geral ter diminuído em 2020, chegando a 71,44 em comparação com 2019, que teve uma taxa de 129,38 casos por 100 mil habitantes, o Boletim alerta para a sobrecarga do sistema de saúde em decorrência da pandemia de Covid-19. Esta sobrecarga é apontada como um dos fatores que afetaram diretamente a possibilidade de detecção de novos casos da doença durante o primeiro ano de pandemia.

De acordo com a professora da Pós-Graduação em Enfermagem na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Silvana Benevides, a melhor maneira de diminuir o número de novos casos é trabalhar com a investigação de contatos: “No meu ponto de vista, temos que investir na base, na conscientização da nossa comunidade de fazer a vigilância de casos, de ir até as famílias dos pacientes e fazer a vigilância de contato”, afirmou.

Ainda segundo Benevides, a alta de casos em Mato Grosso se deve a falta de treinamento especializado para os profissionais e também de tecnologia para identificar os novos casos rapidamente. “Precisamos do trabalho conjunto da academia e do serviço. Não é qualquer profissional que pode avaliar os casos de hanseníase, devem ser pessoas capacitadas. Temos que juntar as ferramentas tradicionais, como o exame físico e a vigilância de casos, com as novas tecnologias para fazer o diagnóstico precoce”, comentou a pesquisadora.

No caso da hanseníase, o diagnóstico precoce é a maior prevenção contra a doença, já que o tratamento oportuno cura, interrompe a transmissão e previne sequelas. Benevides diz que para se combater a doença com eficácia é preciso investimento no planejamento estratégico. “O poder público tem que trabalhar em conjunto com a ciência. É preciso planejamento estratégico para conter a doença e também para diminuir o estigma sobre ela”, ressaltou a Professora.

Dentro deste planejamento, Silvana garante que investir na enfermagem é fundamental para potencializar os resultados de uma política pública engajada contra a doença. “É muito importante investir na enfermagem, porque a hanseníase precisa de uma equipe multidisciplinar para ser combatida. A medicina não trabalha sozinha, a fisioterapia não trabalha sozinha, é preciso que todos trabalhem junto com a enfermagem”, finalizou.

Fonte: Ascom / Coren-MT (com informações do Cofen)




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