29/11/2017

Pesquisadores dão mais um passo para entender as causas do autismo

Cientistas acreditam ter descoberto o que poderia estar na raiz

Cientistas acreditam ter descoberto o que poderia estar na raiz do autismo – e não são as vacinas ou outras ocorrências infundadas que circulam muitas vezes na internet. De acordo com um novo estudo, o autismo deve estar ligado ao fato de uma pessoa nascer com conexões cerebrais em excesso, as chamadas sinapses. 

“Um número aumentado de sinapses cria uma ‘falta de comunicação’ entre os neurônios no cérebro em desenvolvimento que se correlacionaria com diferenças na aprendizagem”, diz o autor principal da pesquisa, Azad Bonni, chefe do Departamento de Neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade Washington, em St. Louis.

O transtorno do espectro autista é uma condição de desenvolvimento neurológico comum que afeta uma em cada 68 pessoas de acordo com dados aferidos pelos norte-americanos. Em geral, entende-se que existe um aspecto genético para o transtorno, embora os desencadeantes ambientais também possam desempenhar um papel nesse quadro.

Estudos em ratos concluído

Vários genes já foram associados, em outros estudos, a pessoas com autismo. Seis deles têm a ver com a ubiquitina, proteína presente nas células e com função reguladora. Alguns especialistas acreditam que indivíduos com autismo têm uma mutação genética, impedindo que a ubiquitina funcione corretamente.

Para descobrir como e por que isso acontece, os cientistas da Universidade Washington removeram o RNF8 (um gene de ubiquitina) em neurônios no cerebelo (uma área do cérebro afetada pelo autismo) em camundongos jovens.

Os ratos em que faltava o gene desenvolveram um excesso de sinapses – o que, por sua vez, afetou sua capacidade de aprender. Esses ratos tinham 50% mais sinapses do que seus pares que tinham seu gene RNF8 intacto.

Os cientistas, então, mediram o sinal elétrico nos neurônios e descobriram que eram duas vezes mais fortes do que aqueles com uma célula de funcionamento normal.

O transtorno de espectro autista, TEA, afeta mais comumente a linguagem, atenção e movimento, habilidades em que o cerebelo desempenha um papel essencial.

Condição representada por um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro (que acontece antes, durante ou logo após o nascimento do indivíduo), o TEA se caracteriza pela dificuldade na comunicação social e pelos comportamentos repetitivos.

Embora todas as pessoas com TEA partilhem essas dificuldades, elas são afetadas com intensidades diferentes – que podem existir desde o nascimento e serem óbvias para todos ou podem ser tão sutis que sejam visíveis só ao longo do desenvolvimento.

Para ver se os ratos de teste tinham habilidades motoras mais baixas (um sintoma comum em pessoas com autismo), os pesquisadores treinaram os ratos para associar um sopro de ar ao olho com uma luz piscando.

Uma semana depois, o grupo de controle evitou a irritação causada pelo sopro de ar ao fechar os olhos 75% do tempo. O grupo de teste apenas fez isso por um terço do tempo.

Os cientistas apontam, claro, que o estudo com ratos não equivale a um ser humano com autismo – já que a concepção dos cérebros autistas é altamente individualizada, como mencionado antes. São necessários mais trabalhos, daqui por diante, para verificar a hipótese, mas a associação interessante entre sinapses e comportamento poderão influenciar, agora, os tratamentos para portadores.


Fonte: Coração & Vida



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