07/06/2021

Profissionais de enfermagem, em reunião em BH, temem colapso por sobrecarga

São quase três milhões na linha de frente de combate à pandemia, 788 morreram de COVID-19 e mais de 50 mil infectados

Representantes das categorias de enfermagem temem um colapso dos profissionais de saúde devido à sobrecarga de trabalho durante a pandemia. A situação pode se agravar ainda mais em caso de uma ‘terceira onda’, já prevista pelas autoridades de saúde. Presidentes de 23 conselhos regionais e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), se reuniram em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (7/6), em um ato nacional, para reafirmar sua disposição de lutar por melhores condições de trabalho e salários.

Há cerca de 20 anos, enfermeiros, técnicos e parteiras reivindicam piso nacional e uma carga horária quer permita atender a população com a qualidade demandada. A profissão ficou mais em evidência diante da pandemia, quando quase três milhões de profissionais se expuseram aos riscos de contaminação, nas linhas de frente de hospitais e postos de saúde.

Já são 788 os que perderam a batalha para a COVID-19, de acordo com o Observatório da Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), em números atualizados em tempo real. Em Minas Gerais foram 45 óbitos e 56.381 infectados em todo o Brasil. Em Mato grosso, 54 mortes desde o início da pandemia.

Segundo a presidente do Cofen, Betânia dos Santos, a grande preocupação se concentra na situação de exaustão desses profissionais. “Muitos são afastados e não tem mão de obra para repor. Se levarmos em conta que os baixos salários obrigam a trabalhar em mais de uma unidade de saúde, o afastamento causa ainda mais sobrecarga aos que permanecem nas linhas de frente.”

Após uma passeata pelas ruas do Centro de BH, eles passaram a manhã e parte da tarde nas dependências do Conselho Regional de Enfermagem (Coren/MG) e uma comissão visitará o escritório regional do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (Democratas), senador por Minas. Eles pressionam para que seja colocada em pauta o Projeto de Lei 2464/2020, de autoria do senador Fabiano Contarato (RDE/ES), que estabelece um piso nacional salarial.

O presidente do Coren-MG, Bruno Farias, explica que a capital mineira foi escolhida por Rodrigo Pacheco ser um dos representantes de Minas no Senado. “A colocação do projeto de lei em pauta será uma sinalização de valorização desses profissionais, que já não aguentam mais trabalhar sob pressão.”

Bruno já havia se reunido com Rodrigo Pacheco em outra ocasião pedindo urgência, o que desobrigaria passar por comissões, e recebeu a resposta de que “durante a pandemia, todos os projetos seriam de urgência, porque as comissões não estavam se reunindo”. Mas que seria encaminhado aos líderes na casa, e para avaliação de outros setores que também teriam interesse.

Em Minas, são 215 mil profissionais da enfermagem inscritos.“É um marco para a enfermagem e Minas é a sede. Não vamos descansar até ver esse projeto ser votado. Muitos, desde 1986, foram engavetados e se perderam. Este, não vamos deixar passar”, garantiu o presidente do Coren-MG.

O projeto do senador pelo Espírito Santo estabelece um piso salarial nacional para os enfermeiros de R$ 7.315 mensais, para uma jornada de trabalho de 30 horas semanais e para os técnicos de enfermagem, 70% desse valor de referência e 50% para auxiliares de enfermagem e parteiras.

Em sua justificativa no projeto, o senador capixaba diz que ser esta é “a melhor forma de reconhecimento que nós, senadores da República, poderemos dar por todo o trabalho exaustivo que esses profissionais da área da saúde têm tido ao longo de anos e que se intensificou com a pandemia do coronavírus. Além de enfrentarem jornadas duplas de trabalho em troca de salários miseráveis, e que não condizem com todo o esforço e desgaste que estão passando, colocam diariamente suas vidas em risco por estarem na linha de frente dos hospitais, ajudando os pacientes internados em decorrência da COVID-19”.

Segundo o senador, hospitais privados e operadores de planos de saúde vêm lucrando com a situação. Ele usa dados da Agência Nacional de Saúde (ANS), que apontaram umn lucro líquido de R$ 15 bilhões neste setor, nos “nove primeiros meses de 2020”.

Fonte: Estado de Minas




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