07/02/2019

RDNEWS – Fiscalização encontra paciente sem trocar curativo há três dias e medicamento velho

Enfermeiros vão a 17 unidades hospitalares em Cuiabá, VG e Sinop e emitem relatório fiscal

Relatório de fiscalização divulgado nesta segunda (4) escancara a precariedade do serviço público de saúde no Estado de Mato Grosso e aponta irregularidades em 17 unidades hospitalares de Cuiabá, Várzea Grande e Sinop. O trabalho foi feito pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e o Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) na última semana. Em uma das unidades, o paciente teve que usar lençol próprio, para não fazer o tratamento deitado direto no colchão. Em outra, o interno estava sem trocar o curativo há mais de 3 dias.

A fiscalização apontou a superlotação das unidades hospitalares, medicamentos vencidos, estrutura precária, como vazamentos e goteiras, más condições de higiene, descarte impróprio de material médico e falta de profissionais suficientes para suprir a demanda de atendimentos e falta de estrutura para trabalho de enfermeiros.

“A situação é bem séria. O investimento do poder público na saúde tem repercutido de forma muito negativa porque, de fato, os problemas que encontramos são muito básicos” Michely Filete, do Confen
As visitas ocorreram entre os dias 28 de janeiro e 1º de fevereiro. Os resultados mostram a desorganização do serviço público de saúde e os problemas estruturais graves que afetam a qualidade da assistência de enfermagem e que põe em risco a saúde da população.

Segundo a chefe da Divisão de Fiscalização do Cofen, Michely Filete, os resultados são reflexo do cenário de desestruturação de todo o sistema de saúde. “A situação é bem séria. O investimento do poder público na saúde tem repercutido de forma muito negativa porque, de fato, os problemas que encontramos aqui são muito básicos”, lamanta.

O Pronto -Socorro de Cuiabá e Várzea Grande foram os que mais apresentaram irregularidades. As duas unidades funcionam em estrutura física precária, onde os enfermeiros verificaram a falta de materiais e medicamentos vencidos, entre outros problemas.

Em Várzea Grande, os profissionais constataram a presença de pacientes internados no corredor, mesmo tendo leitos vagos em outros setores, e que os lençóis eram dos próprios pacientes e que não havia local para guardá-los adequadamente.

No Pronto-Socorro de Cuiabá, os Conselhos apontaram para a superlotação de pacientes em uma sala que há a capacidade para 22, mas na verdade estava com 80. Havia apenas dois enfermeiros e quatro técnicos para cobri-los. Eles constataram ainda que pacientes estavam “há mais de três dias sem fazer curativo devido à sobrecarga de atribuições dos profissionais de enfermagem” e outro paciente, em estado grave, “sendo atendido em maca baixa por falta de leitos”.

Além da falta de estrutura, os Conselhos de Enfermagem apontaram a precariedade da estrutura para exercício da profissão, como falta de profissionais e até atraso no pagamento de salários. Os fiscais também visualizaram que alguns enfermeiros atuavam com a carteira vencida. E foram encontrados ainda profissionais exercendo funções fora de sua competência e habilitação.

“(Paciente) sendo sendo atendido em maca baixa por falta de leitos” Trecho de relatório
Em Sinop, o problema é com o Hospital Regional do município. Os fiscais também encontraram profissionais com registro vencido. Mas também com salário atrasado há 90 dias. Além disso, o relatório apontou por rachaduras na parede da Central de Material Esterilizado e falta de medicamentos.

Além destes, o Coren e Cofen visitaram o CIAPS Adauto Botelho, Hospital São Lucas de Várzea Grande, UPA IPASE, Hospital Municipal São Benedito, Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, UPA Morado do Ouro, CIAPS III, UPA Pascoal Ramos, Políclinicas do Verdão e Planalto, Hospital Santo Antônio, Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, Maternidade Jacarandá e Upa Sinop.

Outro lado

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretária Municipal de Saúde de Cuiabá comentou que não foi notificada oficialmente sobre a fiscalização do Cofen e Coren. A pasta informou que todas as irregularidades serão apuradas e que serão tomadas todas as medidas necessárias para solucioná-las o quanto antes.

Ao contrário de Cuiabá, o relatório chegou à Prefeitura de Várzea Grande. O secretário de Comunicação Social, Marcos Lemos, informou que providências quanto a falta de Comissão de Ética e o não registro profissional de enfermeiros já foram tomados. Sobre os medicamentos vencidos, Lemos garantiu que a informação não procede. “Nós não achamos medicamento vencido. Nós achamos 120 que estavam com a validade em aberto e sem estar concluído. Os medicamentos iam vencer no final de fevereiro e estamos no meio do mês”, disse.

O entrou em contato com o Governo do Estado, que é quem administra o Hospital Regional de Sinop. Mas até a publicação desta matéria não obtivemos resposta sobre a demanda.

Às 10h (6/02) – SES emite nota dizendo que unidade passou por intervenção e retomou gestão

Veja íntegra da nota

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), que é quem administra o Hospital Regional de Sinop, informou que a unidade “passou por uma intervenção que retomou o gerenciamento, a operacionalização e execução dos serviços de saúde da unidade hospitalar”. Anteriormente, ela era administrada pelo Instituto Gerir, que também foi demovida do controle de um hospital em Rondonópolis por meio de decisão judicial.

“Logo, a SES-MT informa que a equipe responsável pela gestão hospitalar do Estado não tem medido esforços para sanar todas as não conformidades apresentadas nos relatórios de inspeções técnicas dos órgãos competentes e tomará as atitudes cabíveis para a solução dos pontos destacados pela fiscalização”, apontou.

A SES informou que, dentre as medidas de curto prazo que serão adotados em Sinop, está a realização de processo seletivo interno para contratação imediata de servidores, a organização de fluxos e processos de trabalho e a exigência do uso da carteira profissional e carimbo.

A pasta informou também que “desde a intervenção, já foi realizada a aquisição de materiais médicos e hospitalares, a contratação dos serviços de lavanderia hospitalar e enxoval, a dispensa para contratos emergenciais de serviços médico e foi viabilizado o pagamento das folhas de novembro e dezembro dos servidores”.

Fonte: Site RDNews




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